segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Quanto te vale esse tempo?

  Não é sempre que se encontra por ai uma boa lembrança,daquelas de antigamente,que nos fazem imaginar e até sentir saudades junto,quem dirá alguém,disposto a dividi-lá.
  Meus caros,ás vezes não só acho,como tenho certeza de que tenho muita sorte,sim,sorte por estar lá,naquele exato momento,para partilhar dessas tão belas histórias,que eu sei, jamais serão revividas nesta vida.
  A falha lembrança dos dias atuais,do almoço de ontem ou do remédio que esquecera de tomar,não chegam aos pés de equilibrar a vasta memória de quem viveu tempos humildes,de escassez e dificuldade,mas feliz. SIMPLESmente, feliz. 
  O modo como colhiam as frutas ainda frescas,das plantações de soja de se perder a vista,dos campos de grama e das colheitas de café.E aquele melado de açúcar,em ponto de puxa que dá água na boca só de imaginar.O velho cheiro do leite tirado das vacas e o sabor do milho,que ainda era apenas milho.
  Naquele tempo,as roupas eram costuradas em casa,e muito bem costuradas por sinal,comprava-se o tecido,sem direito a muitas escolhas,e se faziam roupas de alta qualidade,de belos cortes.Depois,todos iam para a varanda e diziam "Xxx..",assim,através de um único flash,se guardava aquele momento de roupa nova.
  O conhecer,o namorar...lembravam os pores-do-sol,os tão esperados fins de semana, significavam respeito e duração.
 E os brinquedos,quem diria,feitos de sabugo de milho,de caixa de papelão,de rodinhas improvisadas,mamona,estilingue,muitas vezes,só de imaginação e dos próprios pés, mas que divertiam aquelas crianças travessas.
 Quem é que não pegou bicho de pé,furou o pé no prego enferrujado,pegou piolho,caiu da árvore,desceu o barranco sentado em folha de bananeira,colecionou pedrinhas,borboletas e flores secas?!Quem é que não sentou em roda no começo da noite para ouvir histórias sobre os avós,bisavós e as de terror também?!Quem é que não levou uns bons petelecos de varinha,cinta ou aquela bela palma que fazia pensar três,quatro vezes antes de repetir o feito?!
 No fim,no término dessas conversas nostálgicas,me entristeço,em pensar que filhos e netos não saberão sobre o que estou postando hoje,não conseguirão sentir os aromas,nem brincar livremente com qualquer coisa em qualquer lugar,se esquecerão de que viver com simplicidade,não é viver em desgraça.
 Foram-se os tempos e também vão-se as pessoas.Aí,penso no que meus filhos vão contar quando mais velhos e me pergunto:
  - Hoje,o que é que há?

Um comentário:

  1. Adoráveis as palavras e a emoção com que narrou cada pedacinho das histórias, que por serem mais de nossos pais, já não foram tão nossas.
    Penso que tantas e tantas lembras te levaram a esse texto. Lembranças de pessoas, de sentimentos, de coisas corriqueiras... Tantas, que parece que estavas lá, de corpo presente, de mente atenta e olhos fixos em movimentos, expressões...
    Sabes tanto, como poucos que viveram isso saberiam narrar.
    Sabes tanto, que duvido que não estavas lá.
    Sabes tanto, que se não fora de corpo, fora de alma, fora de coração.

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